sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

Sobre Deus e outros fenómenos

Como a maioria das crianças com que cresci, a palavra Deus e o conceito que vinha com ela acompanharam-nos durante todo o processo de crescimento.
O meu primeiro contacto com este conceito aconteceu cedo. Com pouco mais de 7 anos entrei para uma escola marcadamente católica onde a relação com Deus e a forma como tínhamos que nos comportar para sermos aceites por ele, nos eram martelados minuto a minuto. Era um mundo à parte. Não existia um director da escola mas uma madre-superiora que me lembro fazer questão de ser reconhecida como tal em todas as conversas. O edíficio era antigo, como não podia deixar de ser, e as salas eram frias e desprovidas de qualquer conforto. Afinal de contas, para Deus gostar de nós não podíamos estar resguardados do frio do inverno e tínhamos que penar e esperar pelo soar do fim do dia para podermos voltar a casa. Lembro-me, também, que não podia vestir calças porque apesar da escola ser mista vivia-se um clima de terror latente, não fossem os rapazes aperceberem-se de que eramos raparigas e vice-versa. As calças, dizia a madre-superiora, marcavam o corpo, deixavam notar o corpo feminino e chamavam a atenção dos rapazes. Só com isto já tinha um problema, odiava saias, vestidos e tudo o que não fossem calças.
Quarta-feira, às 9h, era dia de missa e não falhava nem se o padre estivesse doente porque se arranjava logo um substituto. Nesse dia, a família podia estar presente e partilhar da palavra do senhor. Pena que o senhor falasse sempre tão baixo que não o conseguia ouvir. Para tal servia o padre, o tal interprete da palavra do senhor, diziam. Ao contrário também não funcionava muito bem, o senhor também devia ter problemas auditivos...
Sempre me senti deslocada naquele sítio. Não tinha pais ricos, não partilhava do mesmo background cultural e social das restantes crianças e sentia-me claramente excluída. Não tínhamos os mesmos gostos, não fazíamos os mesmos planos de fim-de-semana e o ambiente familiar não podia ser mais diferente. Mesmo assim, por insistência, queriam que permanecesse naquela escola. Claro está, que o resultado não podia ser famoso e com o tempo a madre-superiora brilhantemente percebeu que eu era uma criatura das trevas e não me enquadrava naquela escola pelo que chamou os meus pais e aconselhou-os a procurar uma escola onde me enquadrasse melhor; que foi o mesmo que dizer, fui expulsa e só não usaram essa palavra porque o valor que cobravam mensalmente não lhes permitia usar dela.
Mas, não foi fácil chegar a esse momento. Passei por um ano de orelhas de burro, reguadas, puxões de orelhas e tudo o mais que se fazia ali em nome do senhor. "Aqui as crianças crescem segundo as leis do senhor" era o que tanto se ouvia por aqueles corredores. Bom, se alguma vez estivemos de acordo foi quanto ao facto de que os caminhos do senhor são, de facto, turtuosos.
Havia um dia específico para as confissões em grupo, já não me lembro qual o dia, mas juntávamo-nos todos numa sala e cada um tinha que confessar, alto e bom som, os pecados que tinha cometido durante esses dias. Pior do que confessar os pecados era encontrá-los e o dia anterior era sempre dia de fazer uma lista e inventar coisas, pecados, que sabia iriam fazer os olhos da madre-superiora brilharem. "Ontem estava tão cheia de ódio que agarrei num sabonete, novinho em folha, que estava na casa-de-banho, arranhei-o todo e arranquei pedaços inteiros com as unhas. Depois, voltei a colocá-lo no suporte, já defeituoso e nada com aspecto de sabonete novo..." Lembro-me como se fosse hoje, os olhos dela vibraram, bateu na mesa com a palma da mão e disse: " Que coisa mais horrível de fazer! O que é que a menina acha que Jesus achou disso? Acha que ficou contente consigo?" Encolhi os ombros e fui para a capela fingir que rezava o número de pai-nossos e avé-marias que me iriam salvar do inferno, por ter destruído um sabonete perfeitamente bom e novo.
Mas, o pior dos piores cenários aconteceu com a ida a Fátima. Milagrosamente, coincidiu com a vinda do pápa a portugal e instalou-se o caos naquela escola. Era a loucura dos preparativos e lá fomos todos em camionetas abençoadas para fátima. O calor não se aguentava, estavam milhares e milhares de pessoas e não havia uma sombra. Lembro-me, como hoje, de perceber que de toda a comitiva era a única que parecia incomodada e muito pouco entusiasmada com todo aquele reboliço. Todos procuravam um lugar melhor, queriam ver o pápa, queriam a melhor vista. Eu, só queria mesmo sentar-me, de preferência à sombra, e conseguir um pouco de espaço livre para respirar sem ter que inalar o odor de um outro corpo colado a mim. Foi a histeria completa. Senti-me mal e só me lembro de acordar já na camioneta, de volta a casa. Uns dias depois, veio a conclusão de que não me enquadrava naquele modelo educativo e que a bem do meu interesse deveria mudar de escola. E lá fui eu para uma escola "normal" onde, aparentemente, o senhor não conseguia ver nem ouvir e estavamos todos a salvo. A salvo, entenda-se do inferno.
Ao longo dos anos a minha relação com Deus passou pelas mais variadas fases. Ouvi relatos e mais relatos de experiências e opiniões pessoais, li e reli em busca de algo que me trouxesse uma resposta. Finalmente, quando já não tinha mais onde procurar a um nível físico, concluí que a resposta tinha que estar dentro de mim. Ou acreditava ou não acreditava. Ou tinha ou fé ou não tinha. Tudo se resumia à crença individual e única de cada um. Com o tempo, fui criando a minha própria forma de aceitar Deus na minha vida, fui deixando pequenas coisas de parte que não me faziam sentido mas, ao mesmo tempo, permaneciam sempre alguns pós da essência que era acreditar em Deus. Mas, o meu sinal de alerta mantinha-se ligado. O puzzle ainda não estava completo e algumas das peças encaixavam a muitoo custo.
O teste, sentia-o sempre que me era colocada a pergunta: "Acreditas em Deus?" Sim, era a resposta automática. Depois, vinham todas as minhas explicações de como acreditava num Deus diferente, com esta e aquela alteração. Isto porque, interiormente, não tinha ainda encontrado a capacidade de assumir a verdade que sentia. Sempre que demorava mais a responder à pergunta e me preparava para acusar uma resposta negativa sentia uns olhos do tamanho do mundo postos em cima de mim, os olhos da madre-superiora, talvez, ou dos santos que o meu avô mantinha em cima da sua mesa de cabeceira, quem sabe.
O peso da crença familiar, social, faz-nos perder a força para aceitar a nossa própria verdade. O medo, disfarçado de argumentos lógios, leva-nos a afastar-nos mais e mais de nós próprios, a anularmos a voz que nos grita do fundo de nós mesmos.
Levei anos a conseguir afirmar que não acredito em Deus. Anos e anos de conquista da minha vontade interior, sem punição ou castração. Sem recear a sala de confissão de pecados.
Alguém dizia, um dia destes, que mesmo quem age de forma menos boa em relação aos outros está igualmente a fazer um trabalho na direcção do bem, porque nos permite constatar o seu erro e afastarmo-nos dessa forma de acção. Assim sendo, obrigada madre-superiora.
É um facto, que não existirá melhor ferramenta de controlo que esta da crença, seja ela no que for. Osho, disse algo do tipo " Todo o homem que vos der um sistema de crença é vosso inimigo". E os inimigos do Homem estão à vista, espalhados entre igrejas e governos, entre países e linguas diferentes, mas todos utilizam a mesma poderosa ferramenta.
O triste da coisa é que enquanto nos mantivermos a olhar para o céu, não conseguimos olhar para dentro de nós. Enquanto pudermos usar Deus como desculpa para os nossos próprios erros e escolhas, não as vamos aceitar e tomar responsabilidade por elas. Enquanto não matarmos definitivamente o Deus que veio com a cassete de formatação inicial, não conseguiremos encontrar a divindade que vive em nós. E, mais triste ainda, enquanto tudo isto não acontecer, todo o trabalho em prol de outro será pura projecção de ego, uma mera tentativa de preenchimento de vazios pessoais. Todo o serviço ao outro não passará, na realidade, de serviço a nós próprios, todo o amor que brotar de nós chegará ao outro contaminado, cheio de ansias e vontades individuais de compensação. Enquanto não matarmos este Deus e nos encontrarmos connosco próprios, estamos condenados a viver apenas na sombra de algo que poderia ser.
É preciso matar Deus para voltar a encontrá-lo, num outro plano, numa outra forma, na pura manifestação de energia que é a vida e no que de divino existe em todos os seres.

A maratona dos erros

Passamos a vida a dizer que nada acontece por acaso. Eu, confesso, gasto a frase. Mas, uma coisa é dizer, outra é perceber diariamente a sua abrangência e o impacto em nós.
Acredito que não existem coincidências, digo-o tantas vezes que já é quase mecânico. Sei que não nos cruzamos com ninguém só porque sim. Sei que todas as pessoas que passam pela minha vida trazem algo de crescimento para mim.
O que me irrita tremendamente, é o estar a ver tudo ao longe, a assistir de camarote ao cometer de erros mais do que conhecidos e ainda assim não conseguir pará-los. Por vezes, vejo-os, aos erros, a saírem disparados na direcção da ratoeira, ainda tento alcançá-los na esperança de interromper o processo mas parece-me que eles, os erros, correm a uma velocidade largamente superior à da minha capacidade de reacção... Quase como um vómito inesperado que não se controla.
Bolas, um dia destes hei-de conseguir correr mais rápido e cortar a meta das asneira antes deles, dos erros. Ai vou, vou!

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

A propósito de sentimentos verdadeiros

Anjana é um chimpanzé que vive na Tigers, na carolina do Sul. Quando o furacão Hannah separou dois tigres brancos da sua mãe, Anjana resgatou-os e adoptou-os. Não é caso raro uma vez que Anjana tem frequentemente adoptado vários com várias crias de leões e leopardos que ali chegam desamparados.




Estes são os momentos em que a maioria dos humanos tem muito a aprender com um animal não humano.

É natal, é natal

Ontem, por motivos de força maior, tive que me deslocar a um shopping... dia 23 de Dezembro, 20h e bora lá ao shopping... Às tantas, pensei eu, até já nem está muita gente porque já fizeram as compras todas. Pois, claro que sim, e o pai natal existe mesmo, não muda de roupa há anos e consegue estar em milhares de sítios ao mesmo tempo...
Filas e filas, gente e mais gente, compras e mais compras. Não há altura do ano que espelhe melhor o tipo de pessoas em que nos tornámos.
Depois vem a cena da família. Gente que não se suporta, não se vê durante todo o ano mas que se aturam noite a dentro porque é tradição e parece mal não ter família. Sim, porque família é família e não há-de ser por durante o ano terem andado a lixar a vida uns aos outros que se deixa de passar o natal em família.
Com o tempo vou tendo menos família de natal, é um facto. Mas o tempo também me tem trazido o verdadeiro significado de família e, garanto-vos, afasta-se muito deste teatro natalício.
Família, são as pessoas que gostam de nós, no matter what, com o que temos ou não temos, que nos aceitam como os seres que somos realmente. São aqueles que não estão na festança de natal mas pensam em mim, com carinho, no outro canto do mundo.
O jantar lá em casa hoje é seitan à braz, vinho e conversa. No pensamento, como em qualquer outro dia, estarão pessoas por quem nutro o maior carinho. A eles brindaremos com alegria.
Um feliz dia para todos.

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Gosto de ti, simplesmente

Gosto de ti. Sem porquês, sem complicações, sem motivo. Gosto de ti porque sim.
Mas se queres um motivo, que seja por hoje ser sexta-feira. Ou talvez, porque do outro lado do mundo existe uma montanha toda forrada de verde, com um colar branco desenhado à mão. Se isto não chegar, então pode ser porque ontem, ao sair de casa, uma borboleta azul me pousou no ombro e respirou fundo. Mas, a mim, simplesmente porque sim, basta-me.
Podia pensar em mil motivos para gostar de ti mas não quero. Quero isto do gostar só porque sim. Quero não pensar no que vem a seguir e ver a tua transparência por entre um esgalhar de sorrisos escondidos.
Que bom! Gosto de ti! E gosto de ti assim, sem mais nada a atrapalhar.
E não me perguntes quanto gosto porque não sei. Não sei se gosto de ti daqui até à lua ou daqui até ao sol. Não sei quanto isso é e não o quero medir.
Quero apenas gostar, assim, como quando a espuma do mar bate na rocha e vai embora depressa, mas com a certeza de voltar.
Talvez, de mim até ti seja a medida certa. E de quanto mais precisamos realmente?
Gosto tanto de ti quando vejo o pôr do sol... Gosto de ti quando acordo de manhã e vejo o céu azul através da janela... Gosto de ti.
E se isto não te chega, tudo será diferente porque falta um pouco de ti em cada movimento breve, em cada respiração que prendo de olhos fechados e em cada suspiro que deixámos fugir.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Versão adaptada de um poema contado

Não se deixem confundir pela similaridade dos dois títulos. O outro post refere-se a um poema que nunca chegou a ser contado, simplesmente porque não. Ao contrário, este de que vos falo agora tem sido contado, vezes sem conta, de uma e outra forma, com palavras de todas as cores e cheiros. E, não, não foram as palavras que não foram as adequadas. O muro que vislumbras é que é demasiado alto e denso. E não, as mãos não não atravessam muros mas os sentimentos sim.

A propósito de um pedido de alguém que leu o tal outro poema não contado e veio ter comigo: "A pedir um jeitinho também para mim ( ela ) . Julgo que seria um serviço muito útil à comunidade, criar um blog só com expressões de sentimentos alheios, com manifestações de pontos de vista em nome de outros, com uma retórica qualquer cujo objectivo primordial fosse a re-união e o re-entendimento. Com jeitinho até fazias fortuna."

[ela a tentar convencer-me]

- Ó pá... mas tu conheces alguém que tenha batido mais com a cabeça na parede do que eu?
- Mas tu consegues escrever.
- Mas os meus dons não surtiram efeito nenhum.
- Se calhar não é por causa das palavras. É pela qualidade da parede.

"Tenho dúvidas que alguém mude de ideias porque leu seja o que for. É escusado juntar mais verbo, menos adjectivo, mais nome, menos ritmo. Quando uma pessoa decidiu emocionalmente não nos ligar nenhuma, não há nada que se possa fazer. Cheguei a pensar que estaria a dizer as coisas erradas. Mas hoje acredito que não há melhor nem pior maneira de dizer uma coisa. Há melhores e piores maneiras de se ouvir. As vezes que mais fui ouvida, não cheguei a dizer nada. Para quem quer ouvir-nos, chega o silêncio. Não concordas?"

Concordo. Não é possível ouvir quando estamos rodeados de barulho, seja de que tipo for, sendo que o barulho mental é aquele de que mais dificuldade temos em nos abstrair. Mas isto tu sabes...

"Obrigada na mesma. No entanto, se quiseres investir just for fun naquilo que eu devia dizer ou naquilo que sinto que não soube transmitir, estás à vontade. Gostava de ver o exercício. Pode ser que eu me comova. Ou que me reveles um caminho novo que eu me esqueci de percorrer."

O jeitinho, a ajuda que me pedes passa muito pouco pelas minhas palavras e muito mais pela direcção na qual vão as tuas. O tal caminho novo que equacionas ter esquecido de percorrer.

" Mas porque me fazes tantas perguntas e levantas tantas hipóteses se são só isso mesmo? não passam de hipóteses."

Por isso mesmo, para que não deixes de lado nenhum dos caminhos que poderás percorrer. Para que não te centres no único que te mantém ligada ao teu foco de dor. Para que reencontres o caminho de volta para ti própria e não o que te afasta dele.

Repara, vou usar as tuas palavras e soprá-las noutra direcção. Quando as leres, em voz alta, deixa que sejas tu mesma o destinatário. Sente, de que forma elas vivem dentro de ti mesma. Fecha os olhos e repete estas palavras para ti própria:

"Sei-te de cor. Como fecham os olhos. As rugas que riscam os espelhos. Os cabelos alinhados. A tosse-tique-ritmado. Sinais. Olhar posto no infinito mas para dentro, na profundidade. Mau-humor. Coração ora mel ora pedra: a contradição que te desconcerta. Avisos de frágil na expressão do rosto como se fosses um caixote vindo de muito longe, lá dos confins da terra sem nome de onde vens. Como se pusesses um aviso para a quantidade de coisas que levas dentro: figuras quebráveis de gelo transparente.

Vejo-te quando fecho os olhos. E também consigo ver-te quando não os fecho.

Gosto de ti e agora sei que gosto de ti até ao fim da vida. Sem tamanho possível de conceber. Sem drama. A felicidade existe sem ti. Mas cheia de contra-senso, como se eu vivesse duas vidas em paralelo."

"Aquela dor persiste nas gargalhadas e sorrisos. Mesmo quando me sinto alegre. Sobretudo aí. Faltas-me sobretudo aí. Que eu sinto felicidade, sinto. Como esperei, como esperámos, lembras-te? Mas faltas-me tu para rir comigo do lado de dentro dela."

"Escrever não serve para nada se não serve para isto: para sermos ouvidos. Sempre que o fiz, bati com a cabeça nos muros erguidos. Sempre que falo contigo, as palavras não passam de uma boca cheia de verbos que se abre e fecha, inúmeras vezes, a encher-te o cérebro de ruido. Isso, apenas ruido. A verdade é que não me ouves. Sei lá qual é a qualidade do muro que ergueste.

[É como se não me ouvisse, como se não se ouvisse, nada a fazer.]"

Muito barulho em redor. Muitas distracções mentais. Só se duvida com a mente, só se ouve bem com o coração.

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Anatomia de Grey e Dali

Ontem, depois de ver um episódio da Anatomia de Grey, levei uma pergunta comigo para a cama:
- O que precisamos fazer para impedir de nos afogarmos?
Adormeci com este pensamento e, claro está, tive o mais estranho dos sonhos:
Sonhei com um mar imenso, encrespado, cinzento e frio. Populado de milhares de cabeças que tentavam desesperadamente manter-se à superfície e não se deixar levar pelo silêncio e calma que se ofereciam uns palmos abaixo. Não me vi, mas sei que estava lá. Senti o frio daquela água, ouvi os segredos que o vento trazia por entre o embate de cada onda e o meu corpo cansado de lutar para se manter.
Era um quadro de Dali, seguramente. A força das ondas trazia o impacto das suas pinturas.
Acordei com a imagem da meredith a desaparecer na água, simplesmente a deixar-se ir...
O que temos de fazer para impedir de nos afogarmos?