Estar vulnerável é algo que não aceitamos facilmente. É sinónimo de fraqueza, de podermos ser facilmente atingidos e magoados. Não gostamos deste sentimento, ninguém gosta de ser magoado. Em resposta à vulnerabilidade criamos as nossas defesas e erguemos um castelo de altas ameias onde dificilmente alguém chega. Depois, decidimos até que área do castelo permitimos a entrada de pessoas. Dividimo-nos em alas, algumas pessoas não deixamos que passem do átrio principal, outras vão um pouco mais além e, muito esporadicamente, abrimos uma ou outra porta mais e mostramos algumas pérolas a que poucos têm acesso. Mas, e então e as portas que nunca abrimos?
Sabem aquela situação em que alguém aparece inesperadamente em nossa casa e fechamos uma porta onde escondemos rapidamente toda a desarrumação da casa? E lá estamos nós a mostrar a nossa casa, com tudo o que ela tem de belo e arrumado e passamos simplesmente pela porta fechada, ignorando o que está escondido. Fazemos uma visita guiada que deixa aos nossos visitantes exactamente a ideia que queremos que tenham de nós.
Porque nos assustamos tanto quando temos que nos expor? A questão é que ficamos vulneráveis e, consequentemente, com medo. Quando nos expomos abrimos as portas fechadas onde acumulámos o lixo de uma vida, mostramos as nossas fraquezas, as nossas limitações, as nossas falhas. Ficamos vulneráveis e sentimos medo. Medo de dar a conhecer o vazio que está por detrás de cada porta fechada. O nosso vazio. É neste momento que começamos a criar máscaras. Máscaras belas e enfeitadas que mostram o que queremos que os outros vejam, o que sabemos que precisamos mostrar para não sermos julgados, para sermos aceites, para nos sentirmos enquadrados. É o medo que nos guia.
Por isso é tão importante o trabalho dos medos, porque não é possível ser verdadeiro e sentir medo. O medo fez com que criássemos uma vida de mentiras e enfeites. O medo afasta-nos da nossa verdadeira essência. O medo fecha portas e tranca-nos por detrás delas.
Aos poucos, porta atrás de porta, vamos matando o que de verdadeiro existe em nós, até não nos lembrarmos mais de quem somos verdadeiramente.
E o problema com o lixo fechado atrás de portas é que ele cresce. Ainda que não esteja vísivel aos olhos ele continua a crescer, a ganhar peso e intensidade no seu esconderijo. Poeira, atrai mais poeira.
O caminho é no sentido contrário. Passa por abrir as portas e trazer todo o lixo para fora. Só assim encontraremos o sentido da verdade que nos pesa diariamente nos ombros. Ao abrir portas e deixar o lixo à vista só o que é verdadeiro vive, apenas o que certo e benéfico sobrevive. O que não serve, o que não é verdadeiro morre porque não resiste ao céu aberto, à exposição, à vulnerabilidade. Não sobrevive quando é trazido para o plano da consciência.
Ao contrário do que nos têm dito, estar vulnerável é estar presente, é afirmar a nossa identidade numa dimensão onde não existem medos ou mentiras. É viver a exposição numa forma de verdade em direcção ao nosso centro, a nós próprios, à nossa individualidade. É o caminho para fora da personalidade e em direcção ao indíviduo.
Não é necessário ser / estar vulnerável para viver mas é necessário conseguir ser / estar vulnerável para não morrer.
Sabem aquela situação em que alguém aparece inesperadamente em nossa casa e fechamos uma porta onde escondemos rapidamente toda a desarrumação da casa? E lá estamos nós a mostrar a nossa casa, com tudo o que ela tem de belo e arrumado e passamos simplesmente pela porta fechada, ignorando o que está escondido. Fazemos uma visita guiada que deixa aos nossos visitantes exactamente a ideia que queremos que tenham de nós.
Porque nos assustamos tanto quando temos que nos expor? A questão é que ficamos vulneráveis e, consequentemente, com medo. Quando nos expomos abrimos as portas fechadas onde acumulámos o lixo de uma vida, mostramos as nossas fraquezas, as nossas limitações, as nossas falhas. Ficamos vulneráveis e sentimos medo. Medo de dar a conhecer o vazio que está por detrás de cada porta fechada. O nosso vazio. É neste momento que começamos a criar máscaras. Máscaras belas e enfeitadas que mostram o que queremos que os outros vejam, o que sabemos que precisamos mostrar para não sermos julgados, para sermos aceites, para nos sentirmos enquadrados. É o medo que nos guia.
Por isso é tão importante o trabalho dos medos, porque não é possível ser verdadeiro e sentir medo. O medo fez com que criássemos uma vida de mentiras e enfeites. O medo afasta-nos da nossa verdadeira essência. O medo fecha portas e tranca-nos por detrás delas.
Aos poucos, porta atrás de porta, vamos matando o que de verdadeiro existe em nós, até não nos lembrarmos mais de quem somos verdadeiramente.
E o problema com o lixo fechado atrás de portas é que ele cresce. Ainda que não esteja vísivel aos olhos ele continua a crescer, a ganhar peso e intensidade no seu esconderijo. Poeira, atrai mais poeira.
O caminho é no sentido contrário. Passa por abrir as portas e trazer todo o lixo para fora. Só assim encontraremos o sentido da verdade que nos pesa diariamente nos ombros. Ao abrir portas e deixar o lixo à vista só o que é verdadeiro vive, apenas o que certo e benéfico sobrevive. O que não serve, o que não é verdadeiro morre porque não resiste ao céu aberto, à exposição, à vulnerabilidade. Não sobrevive quando é trazido para o plano da consciência.
Ao contrário do que nos têm dito, estar vulnerável é estar presente, é afirmar a nossa identidade numa dimensão onde não existem medos ou mentiras. É viver a exposição numa forma de verdade em direcção ao nosso centro, a nós próprios, à nossa individualidade. É o caminho para fora da personalidade e em direcção ao indíviduo.
Não é necessário ser / estar vulnerável para viver mas é necessário conseguir ser / estar vulnerável para não morrer.
2 comentários:
a vulnerabilidade assusta os fracos e valoriza os fortes, deixa-nos, por vees, sós mas mais próximos dos outros, de todos os outros.. gostei de a ler
pedro
Obrigada pelo comentário, Pedro.
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