Acordei com a tua falta nos meus braços. Ouvia-te ao longe mas tinha o corpo entorpecido de tantas horas de cama, não me deixava mexer. De manhã sigo-te pela casa entre o dormir e o acordado e lá vem o momento em que me dizes que vais embora. Todos os dias são dias de despedida. Todos os dias vejo-te chegar com o peso de teres partido.
Abraço-te como quem não quer deixar-te ir. Entrelaço as minhas mãos nas tuas pernas e não largo. E tu vais. - Vou-me embora, dizes. Fico deitada num quente azedo de sensações.
Vens e vais, entre os dias que passam sem nos deixar respirar fundo. Eu vou e venho sem encontrar o lugar de onde parti. Como se explica o que sentimos, não sei. Mas, se calhar, também não é preciso explicar. Se calhar, há coisas que vivemos simplesmente porque são nossas, nem que seja por uns momentos de vida. De manhã cheiras a maçã salpicada de chuva, de tarde a terra acabada de regar, de noite a sonhos com uma pitada de canela. São estes os cheiros que me deixas, são estas as sensações que ficam comigo na cama sempre que te vais.
Porque será tão díficil abraçar-te sempre? Porque será que nem sempre conseguimos dizer as coisas que queremos? Hoje tinhas uma cor diferente. Queria colorir-te só um pouco, talvez pintar-te o nariz de verde. Queria dizer como te vejo em cores mas tinha os olhos desfocados e só consegui agarrar-me às tuas pernas. Vou-me entrelaçar em ti quando chegares.
Tu não sabes mas olho-te muitas vezes enquanto dormes. Tu não sabes mas digo-te coisas enquanto estás adormecido. Por vezes, mexes-te entre as minhas frases como se as sentisses ou adivinhasses que te quero segredar algo. Outras, acordas e eu finjo que estou a dormir. São estes os nossos momentos de desencontro, entre o acordar e o adormecer, entre as coisas que dizemos sem serem ouvidas ou as que ouvimos sem terem sido ditas.
Estavas sentado na cama, a ler para chamar o sono. Olhei e vi -te num outro tempo, mais à frente, mais velho, a ler para encontrar o sono. E eu, eu também estava ali, deitada a ver-te ler. Percebes que olho para ti e perguntas: - Que se passa? Nada, respondo a sorrir. Não se passa nada. E não te digo que sei o momento exacto em que decidi amar-te.
Abraço-te como quem não quer deixar-te ir. Entrelaço as minhas mãos nas tuas pernas e não largo. E tu vais. - Vou-me embora, dizes. Fico deitada num quente azedo de sensações.
Vens e vais, entre os dias que passam sem nos deixar respirar fundo. Eu vou e venho sem encontrar o lugar de onde parti. Como se explica o que sentimos, não sei. Mas, se calhar, também não é preciso explicar. Se calhar, há coisas que vivemos simplesmente porque são nossas, nem que seja por uns momentos de vida. De manhã cheiras a maçã salpicada de chuva, de tarde a terra acabada de regar, de noite a sonhos com uma pitada de canela. São estes os cheiros que me deixas, são estas as sensações que ficam comigo na cama sempre que te vais.
Porque será tão díficil abraçar-te sempre? Porque será que nem sempre conseguimos dizer as coisas que queremos? Hoje tinhas uma cor diferente. Queria colorir-te só um pouco, talvez pintar-te o nariz de verde. Queria dizer como te vejo em cores mas tinha os olhos desfocados e só consegui agarrar-me às tuas pernas. Vou-me entrelaçar em ti quando chegares.
Tu não sabes mas olho-te muitas vezes enquanto dormes. Tu não sabes mas digo-te coisas enquanto estás adormecido. Por vezes, mexes-te entre as minhas frases como se as sentisses ou adivinhasses que te quero segredar algo. Outras, acordas e eu finjo que estou a dormir. São estes os nossos momentos de desencontro, entre o acordar e o adormecer, entre as coisas que dizemos sem serem ouvidas ou as que ouvimos sem terem sido ditas.
Estavas sentado na cama, a ler para chamar o sono. Olhei e vi -te num outro tempo, mais à frente, mais velho, a ler para encontrar o sono. E eu, eu também estava ali, deitada a ver-te ler. Percebes que olho para ti e perguntas: - Que se passa? Nada, respondo a sorrir. Não se passa nada. E não te digo que sei o momento exacto em que decidi amar-te.
2 comentários:
Agora sim, voltei a ver a tua escrita! És tu no que de melhor me tinhas habituado, quero mais!
Amo-te "tantíssimo", minha eterna castanha despenteada.
Enviar um comentário