sexta-feira, 30 de janeiro de 2009
quarta-feira, 28 de janeiro de 2009
Operadores de call center
Desde tempos ancestrais que existem registos da proximidade do ser humano à natureza e da utilização de meios naturais para os mais diversos fins. O uso de plantas, ervas e afins para fins curativos não é uma prática dos tempos de hoje, muito pelo contrário.
Com a natural evolução social, a inovação tecnológica e médica e a rápida resposta do organismo a estímulos químicos, passou a ser um hábito comum a ingestão de medicamentos que suprimem rapidamente sintomas que se manifestam ao nível do corpo físico.
Estranhamente, nesta era que prima pelos avanços e descobertas científicas em termos médicos, podemos constatar uma maior aproximação social ao mundo das terapias naturais e alternativas. Porquê? Creio, sinceramente que a resposta está muito para além da questão medicinal.
O percurso do ser humano, ao longo dos tempos, tem contribuído para um afastamento genérico do indivíduo da sua essência, da sua natureza interna. Numa sociedade marcadamente patriarcal, onde regras sociais, morais, éticas e inclusivamente médicas, eram votadas por grupos de pessoas motivadas pela necessidade de controlo social, cultural e mental, a consequência humana foi a desabituação do questionamento, a aceitação de verdades como absolutas sem a mínima reflexão individual. Criaram-se barreiras mentais fortíssimas que levaram ao aparecimento de uma sociedade de “fila indiana” onde quem ousa sair da fila é olhado de forma crítica e colocado à margem.
A bem da rapidez de processos, industrializaram-se áreas como o parto, o atendimento médico, a educação, etc. O resultado não poderia ser algo muito diferente do que temos: Pessoas industrializadas. De tal forma que, para algumas delas, a simples ideia de fazer algo de uma forma diferente da que lhe foi passada causa sofrimento e ansiedade. Um pouco como aqueles operadores de call-center quando lhes fazemos uma pergunta para a qual o guião que estão a seguir não tem resposta. Andamos todos a seguir um guião porque é mais rápido, eficaz e automático. Na realidade, temos uma sociedade repleta de operadores de call-center.
Pior, operadores de call center amedrontados. Porque o guião tráz um apêndice que informa que quem não o seguir à risca ou vai para o inferno ou não é um bom cidadão ou, simplesmente, é afastado do jogo.
Assim de repente, parece que me afastei totalmente do assunto terapêutico. Mas não.
Se industrializámos as pessoas em todas as outras áreas o mesmo aconteceu ao nível terapêutico e se, durante épocas, não se questionavam diagnósticos clínicos, nem práticas terapêuticas, hoje as respostas começam a não satisfazer o novo ser humano, aquele que começamos a encontrar mais frequentemente seja no café ou no banco do autocarro.
Este é, quanto a mim, o verdadeiro motivo desta reaproximação do ser humano a métodos mais naturais. É o regresso a casa. O regresso do centro de poder humano ao seu verdadeiro lugar; às emoções, ao coração.
A mente é uma excelente ferramenta, pode apresentar-nos teorias e mais teorias, desenvolver as mais inteligentes técnicas mas não pode trazer-nos de volta a casa, a nós próprios. O reconhecimento da verdade vai muito para além de regras científicas, não pode ficar por aí, não chega. Estas regras não medem nem captam a essência de cada ser. Têm um propósito que serviu e serve a sustentação de práticas necessárias ao funcionamento de uma sociedade nos moldes que hoje conhecemos.
Tal como chegámos a esta era de industrialização humana, também ela passará. Se há algo que a história nos tem ensinado é que: Também isto passará.
Com a natural evolução social, a inovação tecnológica e médica e a rápida resposta do organismo a estímulos químicos, passou a ser um hábito comum a ingestão de medicamentos que suprimem rapidamente sintomas que se manifestam ao nível do corpo físico.
Estranhamente, nesta era que prima pelos avanços e descobertas científicas em termos médicos, podemos constatar uma maior aproximação social ao mundo das terapias naturais e alternativas. Porquê? Creio, sinceramente que a resposta está muito para além da questão medicinal.
O percurso do ser humano, ao longo dos tempos, tem contribuído para um afastamento genérico do indivíduo da sua essência, da sua natureza interna. Numa sociedade marcadamente patriarcal, onde regras sociais, morais, éticas e inclusivamente médicas, eram votadas por grupos de pessoas motivadas pela necessidade de controlo social, cultural e mental, a consequência humana foi a desabituação do questionamento, a aceitação de verdades como absolutas sem a mínima reflexão individual. Criaram-se barreiras mentais fortíssimas que levaram ao aparecimento de uma sociedade de “fila indiana” onde quem ousa sair da fila é olhado de forma crítica e colocado à margem.
A bem da rapidez de processos, industrializaram-se áreas como o parto, o atendimento médico, a educação, etc. O resultado não poderia ser algo muito diferente do que temos: Pessoas industrializadas. De tal forma que, para algumas delas, a simples ideia de fazer algo de uma forma diferente da que lhe foi passada causa sofrimento e ansiedade. Um pouco como aqueles operadores de call-center quando lhes fazemos uma pergunta para a qual o guião que estão a seguir não tem resposta. Andamos todos a seguir um guião porque é mais rápido, eficaz e automático. Na realidade, temos uma sociedade repleta de operadores de call-center.
Pior, operadores de call center amedrontados. Porque o guião tráz um apêndice que informa que quem não o seguir à risca ou vai para o inferno ou não é um bom cidadão ou, simplesmente, é afastado do jogo.
Assim de repente, parece que me afastei totalmente do assunto terapêutico. Mas não.
Se industrializámos as pessoas em todas as outras áreas o mesmo aconteceu ao nível terapêutico e se, durante épocas, não se questionavam diagnósticos clínicos, nem práticas terapêuticas, hoje as respostas começam a não satisfazer o novo ser humano, aquele que começamos a encontrar mais frequentemente seja no café ou no banco do autocarro.
Este é, quanto a mim, o verdadeiro motivo desta reaproximação do ser humano a métodos mais naturais. É o regresso a casa. O regresso do centro de poder humano ao seu verdadeiro lugar; às emoções, ao coração.
A mente é uma excelente ferramenta, pode apresentar-nos teorias e mais teorias, desenvolver as mais inteligentes técnicas mas não pode trazer-nos de volta a casa, a nós próprios. O reconhecimento da verdade vai muito para além de regras científicas, não pode ficar por aí, não chega. Estas regras não medem nem captam a essência de cada ser. Têm um propósito que serviu e serve a sustentação de práticas necessárias ao funcionamento de uma sociedade nos moldes que hoje conhecemos.
Tal como chegámos a esta era de industrialização humana, também ela passará. Se há algo que a história nos tem ensinado é que: Também isto passará.
terça-feira, 27 de janeiro de 2009
O paradigma da culpa
Partilho convosco um texto que me chegou pelos misteriosos caminhos que o cosmos teima, simpaticamente, em cruzar comigo. Boa leitura, boa reflexão.
O PARADIGMA DA CULPA
O PARADIGMA DA CULPA
Por vezes sentimo-nos cansados, exaustos sem saber bem porquê. Parece que o próprio sangue que nos corre nas veias está ténue, débil, sem forças para irrigar o corpo com o seu alimento. Por vezes, passam-se muitos dias em que nos sentimos afogados nesta sensação. Para alguns ela já é tão permanente que se instalou sem contrato a termo, e nem se consegue perceber outra forma de viver.
Existem muitos hábitos de pensamento e comportamento que levam a esta sensação, muitas formas de gastarmos a nossa energia superfluamente. Um deles, e que parece de certa forma inofensivo no que diz respeito a sentirmo-nos sem energia, é a culpa.
A culpa é algo que está profundamente impresso em todo o nosso padrão de aprendizagem, nas células, nas moléculas, no padrão genético, está tão impregnado e agarrado à nossa humanidade que à primeira vista parece impossível equacionar a sua não existência.
É como um virus, silencioso, invisível a olho nu, sorrateiro e mutável, adaptando-se até ás condições mais adversas, sempre sobrevivendo, ora calando-se dando tréguas por uns momentos, ora gritando com o som estridente da derrota dos culpados. Mas, quando visto à lupa da consciência, é fácil perceber quanta influência tem nas nossas acções, decisões, pontos de vista...Está por toda a parte, de forma subtil ou obvia, está por toda a parte... e impede-nos de Ser em harmonia.
Tem-nos sido ensinada através dos padrões habituais da nossa família, das outras famílias. Tem-nos sido ensinada através das religiões. Tem-nos sido ensinada através da política. Tem-nos sido ensinada através de todas as nossas interacções sociais. E aprendemos tão bem a lição que a transportamos dentro de nós e usamo-la até, e acima de tudo, connosco próprios.
É que foi-nos dito que somos pecadores. Foi-nos dito que temos que nos redimir. E por isso passamos a nossa existência a julgar tudo com os óculos da culpa, pois o que está bem, bem está e o que está mal tem uma causa, e essa causa coloca a culpa em cima de seja o que for, seja quem for que levou ao efeito supostamente errado da causa.
A culpa é criativa e muito vaidosa. Veste-se ora de forma discreta, ora de forma exuberante.
Vejamos alguns exemplos simples: podes sentir que não és bom filho ou filha, bom aluno ou aluna, que não és bom pai ou mãe, que não és bom marido ou mulher, que não és bom namorado ou namorada, que não és bom empregado ou empregada, que não és bom patrão ou patroa, que não és bom colega de trabalho, que não és isto ou aquilo que consideras ser bom e que ao não sê-lo gera culpa. Depois podes ver exactamente o mesmo nos outros à tua volta, em todas as áreas da vida, colocando-lhes em cima a coroa da culpa, soberana e imponente. E neste jogo de culpados ninguém fica impune, e mais, ninguém merece tudo o que considera bom, pois que faz muito do que considera mau.
Temos já aqui várias outras teias ligadas à culpa, como a da victimização e a do merecimento. Um culpado é sempre uma vítima, e nunca é merecedor de redenção pois que lhe pesa o jugo do que crê ser “pecado”.
Sentes quanta energia gastas a pensar, a sentir e a dizer a culpa? Sentes como isso te esgota? Sentes quanta energia te é “roubada” pela culpa que te é colocada em cima pelos outros? E quanta energia tu “roubas” aos outros ao mantê-los sob a sentença da culpa, pequenos, incapazes, “miseráveis humanos”? Sentes como tudo isto te tira a alegria, a vontade, a força, o esplendor, a inteireza, a transparência? Vives tentando esconder que és culpado e tentando encontrar culpa no mundo lá fora. Vês como isso te anula? Travas uma batalha com um fantasma interno que vês reproduzido por todo o lado. Como pode a vida ser plena, assim?
E como te sentes quando pedes desculpa a alguém e esse alguém te responde: “As desculpas não se pedem, evitam-se”? Sentes-te ainda mais culpado, vil e torpe miserável que não soubeste fazer “melhor”. Da próxima vez que te pedirem desculpa, pensa nisto. Pedir desculpa é pedir que seja retirada a culpa desde o ponto de vista do outro, para que ele deixe de te “roubar” energia ao estar a pensar “mal” de ti, condenando-te. É que o pensamento é energia, e gera energia e também a tira, quando lançado pesadamente sobre alguém dissecando a culpa. Por isso, ao concederes a pedida desculpa estás a libertar o outro do teu peso de julgamento e também a ti próprio de perderes mais do teu precioso tempo de vida em operações vãs de escárnio e mal dizer (ainda que muitas vezes apenas em pensamento). Sobra-te depois mais tempo para apreciar cada instante de existência ímpar que tens aqui e agora. Ah, e pede desculpa também, quando sentires que deves fazê-lo, pois aí se encerram lições de humildade, de respeito e aceitação que não podes aprender senão largando a corda do teu orgulho.
Também a palavra perdão é curiosa. É que perdão é dar para alguém (per - para; dão - dar), dar de volta, restituir, libertar. Por isso se fala tanto que para crescer em consciência é necessário perdoar. Perdoar é libertar, deixar ir, aceitando.
Resta apontar um pormenor fundamental: é que não conseguirás perdoar ao resto do mundo até que te perdoes a ti próprio. Não tenhas medo. Mesmo que te libertes dos óculos do pecado, através dos quais vês o mundo, não passarás a ser um vil malfeitor. Quando abres a tua consciência e te permites ver o mundo, interno e externo, com os óculos do respeito, da aceitação, do amor, reconhecendo a tua soberania, o teu perfume único com que podes alegrar os caminhos por onde passas, vês e aceitas o mesmo nos outros, em todos os outros. Vês que a vida é feita de experiências, apenas experiências. Percebes que essas experiências não têm que ser certas ou erradas, fazem parte da riqueza de quem és, de quem todos são. Vês que ao perdoares libertas-te do peso do passado que teimas em carregar e que de nada te serve neste agora, pois ele é completo em si. Vês que o medo, fruto também, mas não só, das muitas culpas que carregas e que distribuis, se desvanece gradualmente, como o nevoeiro. É que sem o peso das experiências “erradas” do passado, podes permitir-te experimentar novas experiências desde um ponto de vista totalmente novo, não condicionadas.
Experimenta dizer para ti próprio com TODO o teu AMOR: “Eu reconheço o meu valor e respeito-me por ser quem sou e por tudo o que consegui até agora. Eu reconheço que o caminho não tem sido fácil e que fiz o melhor que sabia em cada instante, mediante a sabedoria, as habilidades e as ferramentas que reconhecia ter ao meu dispor na altura. Eu escolho libertar-me dos condicionamentos do passado, das culpas, dos medos, pois reconheço que apenas servem para me prender e quebrar. Eu reconheço que tenho o poder de escolher quem quero ser agora, como quero agir e aceito que nem sempre correspondo ao pesado juiz dos meus julgamentos. Eu escolho libertar-me desses julgamentos e aceitar-me tal como sou, o meu eu humano vivendo experiências”. E faz o mesmo em relação a todos que julgas culpados, mentalmente ou em pessoa, fá-lo e verás como ficas mais leve e livre, com espaço para recriar, renascer.
Sem fazeres este perdão a ti próprio, libertando-te, não esperes conseguir perdoar os outros e mais, não esperes que te perdoem a ti também, pois que os polos atraem-se. Se carregas muita culpa, certo é que quando sentes que te culpam acatarás mais facilmente esse peso, pois que o mesmo atrai mais do mesmo. Se, por outro lado estiveres em amor e respeito por quem és, em aceitação de todas as partes de ti, livre do condicionamento do “pecado” que gera culpa, quando alguém te acusar isso não te afectará, não terá sítio onde se colar, pois sabes do teu valor e até és capaz de perceber porque o outro teima em acusar-te. É que também tu estiveste um dia assim, vendo o mundo com esses óculos, acusando e julgando sem saberes que havia outra forma de ver.
Agora imagina que todos vão fazendo este processo de aceitação interna, e vendo o mundo desde esse novo ponto de vista de respeito e aceitação. Não haverá necessidade de ira, revolta, auto comiseração. Não haverá necessidade de escolher sobreviver quando se pode viver.
Antes de pensares que não és suficientemente seja o que for, lembra-te que és tudo o que escolheres ser. Pensa antes de agir, ou antes sente antes de pensar, e age então com esse sentir leve de estar livre das correntes da culpa, em profundo amor. Incendeia essa chama de vida que clama por bailar contigo a dança de ser. Deixa-te de desperdiçar este PRESENTE com o passado morto, pois o seu cheiro putrefacto infecta o ar que respiras. Permite que esse ar que inspiras desde o amor de ti te alimente e inspire, e se espalhe com entusiasmo alegre por descobrir um novo agora sempre, a cada expiração.
A culpa é algo que está profundamente impresso em todo o nosso padrão de aprendizagem, nas células, nas moléculas, no padrão genético, está tão impregnado e agarrado à nossa humanidade que à primeira vista parece impossível equacionar a sua não existência.
É como um virus, silencioso, invisível a olho nu, sorrateiro e mutável, adaptando-se até ás condições mais adversas, sempre sobrevivendo, ora calando-se dando tréguas por uns momentos, ora gritando com o som estridente da derrota dos culpados. Mas, quando visto à lupa da consciência, é fácil perceber quanta influência tem nas nossas acções, decisões, pontos de vista...Está por toda a parte, de forma subtil ou obvia, está por toda a parte... e impede-nos de Ser em harmonia.
Tem-nos sido ensinada através dos padrões habituais da nossa família, das outras famílias. Tem-nos sido ensinada através das religiões. Tem-nos sido ensinada através da política. Tem-nos sido ensinada através de todas as nossas interacções sociais. E aprendemos tão bem a lição que a transportamos dentro de nós e usamo-la até, e acima de tudo, connosco próprios.
É que foi-nos dito que somos pecadores. Foi-nos dito que temos que nos redimir. E por isso passamos a nossa existência a julgar tudo com os óculos da culpa, pois o que está bem, bem está e o que está mal tem uma causa, e essa causa coloca a culpa em cima de seja o que for, seja quem for que levou ao efeito supostamente errado da causa.
A culpa é criativa e muito vaidosa. Veste-se ora de forma discreta, ora de forma exuberante.
Vejamos alguns exemplos simples: podes sentir que não és bom filho ou filha, bom aluno ou aluna, que não és bom pai ou mãe, que não és bom marido ou mulher, que não és bom namorado ou namorada, que não és bom empregado ou empregada, que não és bom patrão ou patroa, que não és bom colega de trabalho, que não és isto ou aquilo que consideras ser bom e que ao não sê-lo gera culpa. Depois podes ver exactamente o mesmo nos outros à tua volta, em todas as áreas da vida, colocando-lhes em cima a coroa da culpa, soberana e imponente. E neste jogo de culpados ninguém fica impune, e mais, ninguém merece tudo o que considera bom, pois que faz muito do que considera mau.
Temos já aqui várias outras teias ligadas à culpa, como a da victimização e a do merecimento. Um culpado é sempre uma vítima, e nunca é merecedor de redenção pois que lhe pesa o jugo do que crê ser “pecado”.
Sentes quanta energia gastas a pensar, a sentir e a dizer a culpa? Sentes como isso te esgota? Sentes quanta energia te é “roubada” pela culpa que te é colocada em cima pelos outros? E quanta energia tu “roubas” aos outros ao mantê-los sob a sentença da culpa, pequenos, incapazes, “miseráveis humanos”? Sentes como tudo isto te tira a alegria, a vontade, a força, o esplendor, a inteireza, a transparência? Vives tentando esconder que és culpado e tentando encontrar culpa no mundo lá fora. Vês como isso te anula? Travas uma batalha com um fantasma interno que vês reproduzido por todo o lado. Como pode a vida ser plena, assim?
E como te sentes quando pedes desculpa a alguém e esse alguém te responde: “As desculpas não se pedem, evitam-se”? Sentes-te ainda mais culpado, vil e torpe miserável que não soubeste fazer “melhor”. Da próxima vez que te pedirem desculpa, pensa nisto. Pedir desculpa é pedir que seja retirada a culpa desde o ponto de vista do outro, para que ele deixe de te “roubar” energia ao estar a pensar “mal” de ti, condenando-te. É que o pensamento é energia, e gera energia e também a tira, quando lançado pesadamente sobre alguém dissecando a culpa. Por isso, ao concederes a pedida desculpa estás a libertar o outro do teu peso de julgamento e também a ti próprio de perderes mais do teu precioso tempo de vida em operações vãs de escárnio e mal dizer (ainda que muitas vezes apenas em pensamento). Sobra-te depois mais tempo para apreciar cada instante de existência ímpar que tens aqui e agora. Ah, e pede desculpa também, quando sentires que deves fazê-lo, pois aí se encerram lições de humildade, de respeito e aceitação que não podes aprender senão largando a corda do teu orgulho.
Também a palavra perdão é curiosa. É que perdão é dar para alguém (per - para; dão - dar), dar de volta, restituir, libertar. Por isso se fala tanto que para crescer em consciência é necessário perdoar. Perdoar é libertar, deixar ir, aceitando.
Resta apontar um pormenor fundamental: é que não conseguirás perdoar ao resto do mundo até que te perdoes a ti próprio. Não tenhas medo. Mesmo que te libertes dos óculos do pecado, através dos quais vês o mundo, não passarás a ser um vil malfeitor. Quando abres a tua consciência e te permites ver o mundo, interno e externo, com os óculos do respeito, da aceitação, do amor, reconhecendo a tua soberania, o teu perfume único com que podes alegrar os caminhos por onde passas, vês e aceitas o mesmo nos outros, em todos os outros. Vês que a vida é feita de experiências, apenas experiências. Percebes que essas experiências não têm que ser certas ou erradas, fazem parte da riqueza de quem és, de quem todos são. Vês que ao perdoares libertas-te do peso do passado que teimas em carregar e que de nada te serve neste agora, pois ele é completo em si. Vês que o medo, fruto também, mas não só, das muitas culpas que carregas e que distribuis, se desvanece gradualmente, como o nevoeiro. É que sem o peso das experiências “erradas” do passado, podes permitir-te experimentar novas experiências desde um ponto de vista totalmente novo, não condicionadas.
Experimenta dizer para ti próprio com TODO o teu AMOR: “Eu reconheço o meu valor e respeito-me por ser quem sou e por tudo o que consegui até agora. Eu reconheço que o caminho não tem sido fácil e que fiz o melhor que sabia em cada instante, mediante a sabedoria, as habilidades e as ferramentas que reconhecia ter ao meu dispor na altura. Eu escolho libertar-me dos condicionamentos do passado, das culpas, dos medos, pois reconheço que apenas servem para me prender e quebrar. Eu reconheço que tenho o poder de escolher quem quero ser agora, como quero agir e aceito que nem sempre correspondo ao pesado juiz dos meus julgamentos. Eu escolho libertar-me desses julgamentos e aceitar-me tal como sou, o meu eu humano vivendo experiências”. E faz o mesmo em relação a todos que julgas culpados, mentalmente ou em pessoa, fá-lo e verás como ficas mais leve e livre, com espaço para recriar, renascer.
Sem fazeres este perdão a ti próprio, libertando-te, não esperes conseguir perdoar os outros e mais, não esperes que te perdoem a ti também, pois que os polos atraem-se. Se carregas muita culpa, certo é que quando sentes que te culpam acatarás mais facilmente esse peso, pois que o mesmo atrai mais do mesmo. Se, por outro lado estiveres em amor e respeito por quem és, em aceitação de todas as partes de ti, livre do condicionamento do “pecado” que gera culpa, quando alguém te acusar isso não te afectará, não terá sítio onde se colar, pois sabes do teu valor e até és capaz de perceber porque o outro teima em acusar-te. É que também tu estiveste um dia assim, vendo o mundo com esses óculos, acusando e julgando sem saberes que havia outra forma de ver.
Agora imagina que todos vão fazendo este processo de aceitação interna, e vendo o mundo desde esse novo ponto de vista de respeito e aceitação. Não haverá necessidade de ira, revolta, auto comiseração. Não haverá necessidade de escolher sobreviver quando se pode viver.
Antes de pensares que não és suficientemente seja o que for, lembra-te que és tudo o que escolheres ser. Pensa antes de agir, ou antes sente antes de pensar, e age então com esse sentir leve de estar livre das correntes da culpa, em profundo amor. Incendeia essa chama de vida que clama por bailar contigo a dança de ser. Deixa-te de desperdiçar este PRESENTE com o passado morto, pois o seu cheiro putrefacto infecta o ar que respiras. Permite que esse ar que inspiras desde o amor de ti te alimente e inspire, e se espalhe com entusiasmo alegre por descobrir um novo agora sempre, a cada expiração.
Com Amor
Tânia Castilho
quarta-feira, 21 de janeiro de 2009
Uma lição de vida
Fala-se muito sobre a missão de vida de cada indíviduo. Não sei se nascemos com uma missão destinada e, pessoalmente, inclino-me para achar que não.
Como seres únicos que somos, cada um com as suas características tão individuais, tendo a achar que a verdadeira missão de vida de cada um passa por descobrir-se a si próprio, aceitar-se como o ser que verdadeiramente é e então produzir coisas a partir daí. Garantidamente, quando estamos em harmonia e conectados com o nosso centro tudo o que produzirmos será em tom de missão de vida.
Da mesma forma, não sei qual seria a missão de vida de Randy Paush ou, tão pouco, se teria alguma. O que sei, é que se este ser não veio para nos trazer esta mensagem então nenhuma outra missão de vida faz sentido.
Randy Paush, professor universitário, abandonou o seu corpo físico aos 47 anos, após um diagnóstico de cancro no pancreas. Deixou-nos uma autêntica lição, contada em tom de história da sua vida, durante a sua última palestra. Não podia deixar de partilhá-la convosco e esperar que tirem tanto partido dela como eu própria tirei.
Como seres únicos que somos, cada um com as suas características tão individuais, tendo a achar que a verdadeira missão de vida de cada um passa por descobrir-se a si próprio, aceitar-se como o ser que verdadeiramente é e então produzir coisas a partir daí. Garantidamente, quando estamos em harmonia e conectados com o nosso centro tudo o que produzirmos será em tom de missão de vida.
Da mesma forma, não sei qual seria a missão de vida de Randy Paush ou, tão pouco, se teria alguma. O que sei, é que se este ser não veio para nos trazer esta mensagem então nenhuma outra missão de vida faz sentido.
Randy Paush, professor universitário, abandonou o seu corpo físico aos 47 anos, após um diagnóstico de cancro no pancreas. Deixou-nos uma autêntica lição, contada em tom de história da sua vida, durante a sua última palestra. Não podia deixar de partilhá-la convosco e esperar que tirem tanto partido dela como eu própria tirei.
quinta-feira, 15 de janeiro de 2009
Mundo fantástico
Quando ouvia falar de Tenerife soava-me sempre a algo comercial, turistico e sem interesse. Depois o Andreas Korte disse-me: " Tens que vir ter connosco a Tenerife e ver algum do trabalho que por lá estamos a fazer". E lá fui eu porque se o Andreas está num sítio por mais que uns dias é porque algo de importante se passa por lá.
Tenerife tem tudo o que eu imaginava de desinteressante, é um facto. Mas, tem um mundo mágico escondido por detrás da máscara do turismo desenfreado e do comércio louco.
A energia que encontrei nalguns dos lugares que visitámos é incrível. O Teide, um vulcão magnífico coberto de neve quando tudo o resto está a derreter de calor. As rochas, em seu redor, que parecem autenticas crateras lunares, de cores que nunca tinha visto antes. As pirâmides em Guimar, uma energia impressionante que passa praticamente ao lado das gentes da cidade. Os animais marinhos que podemos ver se olharmos com atenção por entre as rochas que roçam o mar. E, a cereja no topo do bolo, as baleias, os golfinhos, a viagem de barco com a mulher que canta para chamar as baleias...
Gostava de conseguir descrever todas as emoções, sensações e sentimentos que trouxe comigo desta viagem mas por muito que tente nunca conseguirei. As palavras não atingem a dimensão desta experiência.
Deixo algumas fotos que mostram um pouco do que trouxe de lá.





Tenerife tem tudo o que eu imaginava de desinteressante, é um facto. Mas, tem um mundo mágico escondido por detrás da máscara do turismo desenfreado e do comércio louco.
A energia que encontrei nalguns dos lugares que visitámos é incrível. O Teide, um vulcão magnífico coberto de neve quando tudo o resto está a derreter de calor. As rochas, em seu redor, que parecem autenticas crateras lunares, de cores que nunca tinha visto antes. As pirâmides em Guimar, uma energia impressionante que passa praticamente ao lado das gentes da cidade. Os animais marinhos que podemos ver se olharmos com atenção por entre as rochas que roçam o mar. E, a cereja no topo do bolo, as baleias, os golfinhos, a viagem de barco com a mulher que canta para chamar as baleias...
Gostava de conseguir descrever todas as emoções, sensações e sentimentos que trouxe comigo desta viagem mas por muito que tente nunca conseguirei. As palavras não atingem a dimensão desta experiência.
Deixo algumas fotos que mostram um pouco do que trouxe de lá.
Subscrever:
Mensagens (Atom)