- Quanto tempo tem o tempo?
O tempo tem o tempo que o tempo tem -
Quanto tempo tem o tempo de uma ferida que não sara? Quanto tempo tem o tempo de uma mágoa que continua a viver em nós?
O tempo tem o tempo que o tempo tem.
Quanto tempo tem o tempo de uma memória que se mantém nítida o suficiente para ser lembrada? Quando tempo tem o tempo de um pensamento que nos maltrata?
O tempo tem o tempo que o tempo tem.
E quanto tempo tem o tempo de um coração que não se sente bater? Quanto tempo tem o tempo de um sorriso inacabado, jamais retomado?
O tempo tem o tempo que o tempo tem.
Quanto tempo tem o tempo de um lugar sombrio e frio que encontramos depois de cada esquina? Quanto tempo tem o tempo de uma viagem não acabada?
O tempo tem o tempo que o tempo tem.
Quanto tempo tem o tempo de uns olhos que se perderam no tempo? Quanto tempo tem o tempo de uma ruga seca e vincada de histórias?
O tempo tem o tempo que o tempo tem.
E quanto tempo tem o teu tempo, o meu tempo? Quanto tempo tem o tempo de uma linha de tempo traçada de mim até ti?
O tempo tem o tempo que o tempo tem.
sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009
sábado, 21 de fevereiro de 2009
Um lugar encantado
"É um lugar encantado
entre o mundo e a solidão
onde se espreitam estrelas
e a vida cabe nas mãos
sento-me em frente ao mar
olho para longe do fim
perdem-se barcos na espuma
não sei se é dentro de mim
e fico um pouco mais
gosto que anoiteça aqui
só neste lugar tudo faz sentido
mesmo sem ti
é uma praia onde a noite
me faz lembrar quem eu sou
sem ouvir o que me pedem
sem importar o que eu dou
antes de todas as mágoas
havia o mesmo luar
só eu cumpri a promessa
de cá voltar
e fico um pouco mais
gosto que anoiteça aqui
só neste lugar tudo faz sentido
mesmo sem ti."
entre o mundo e a solidão
onde se espreitam estrelas
e a vida cabe nas mãos
sento-me em frente ao mar
olho para longe do fim
perdem-se barcos na espuma
não sei se é dentro de mim
e fico um pouco mais
gosto que anoiteça aqui
só neste lugar tudo faz sentido
mesmo sem ti
é uma praia onde a noite
me faz lembrar quem eu sou
sem ouvir o que me pedem
sem importar o que eu dou
antes de todas as mágoas
havia o mesmo luar
só eu cumpri a promessa
de cá voltar
e fico um pouco mais
gosto que anoiteça aqui
só neste lugar tudo faz sentido
mesmo sem ti."
Susana Felix - Um lugar encantado
sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009
Vulnerabilidade
Estar vulnerável é algo que não aceitamos facilmente. É sinónimo de fraqueza, de podermos ser facilmente atingidos e magoados. Não gostamos deste sentimento, ninguém gosta de ser magoado. Em resposta à vulnerabilidade criamos as nossas defesas e erguemos um castelo de altas ameias onde dificilmente alguém chega. Depois, decidimos até que área do castelo permitimos a entrada de pessoas. Dividimo-nos em alas, algumas pessoas não deixamos que passem do átrio principal, outras vão um pouco mais além e, muito esporadicamente, abrimos uma ou outra porta mais e mostramos algumas pérolas a que poucos têm acesso. Mas, e então e as portas que nunca abrimos?
Sabem aquela situação em que alguém aparece inesperadamente em nossa casa e fechamos uma porta onde escondemos rapidamente toda a desarrumação da casa? E lá estamos nós a mostrar a nossa casa, com tudo o que ela tem de belo e arrumado e passamos simplesmente pela porta fechada, ignorando o que está escondido. Fazemos uma visita guiada que deixa aos nossos visitantes exactamente a ideia que queremos que tenham de nós.
Porque nos assustamos tanto quando temos que nos expor? A questão é que ficamos vulneráveis e, consequentemente, com medo. Quando nos expomos abrimos as portas fechadas onde acumulámos o lixo de uma vida, mostramos as nossas fraquezas, as nossas limitações, as nossas falhas. Ficamos vulneráveis e sentimos medo. Medo de dar a conhecer o vazio que está por detrás de cada porta fechada. O nosso vazio. É neste momento que começamos a criar máscaras. Máscaras belas e enfeitadas que mostram o que queremos que os outros vejam, o que sabemos que precisamos mostrar para não sermos julgados, para sermos aceites, para nos sentirmos enquadrados. É o medo que nos guia.
Por isso é tão importante o trabalho dos medos, porque não é possível ser verdadeiro e sentir medo. O medo fez com que criássemos uma vida de mentiras e enfeites. O medo afasta-nos da nossa verdadeira essência. O medo fecha portas e tranca-nos por detrás delas.
Aos poucos, porta atrás de porta, vamos matando o que de verdadeiro existe em nós, até não nos lembrarmos mais de quem somos verdadeiramente.
E o problema com o lixo fechado atrás de portas é que ele cresce. Ainda que não esteja vísivel aos olhos ele continua a crescer, a ganhar peso e intensidade no seu esconderijo. Poeira, atrai mais poeira.
O caminho é no sentido contrário. Passa por abrir as portas e trazer todo o lixo para fora. Só assim encontraremos o sentido da verdade que nos pesa diariamente nos ombros. Ao abrir portas e deixar o lixo à vista só o que é verdadeiro vive, apenas o que certo e benéfico sobrevive. O que não serve, o que não é verdadeiro morre porque não resiste ao céu aberto, à exposição, à vulnerabilidade. Não sobrevive quando é trazido para o plano da consciência.
Ao contrário do que nos têm dito, estar vulnerável é estar presente, é afirmar a nossa identidade numa dimensão onde não existem medos ou mentiras. É viver a exposição numa forma de verdade em direcção ao nosso centro, a nós próprios, à nossa individualidade. É o caminho para fora da personalidade e em direcção ao indíviduo.
Não é necessário ser / estar vulnerável para viver mas é necessário conseguir ser / estar vulnerável para não morrer.
Sabem aquela situação em que alguém aparece inesperadamente em nossa casa e fechamos uma porta onde escondemos rapidamente toda a desarrumação da casa? E lá estamos nós a mostrar a nossa casa, com tudo o que ela tem de belo e arrumado e passamos simplesmente pela porta fechada, ignorando o que está escondido. Fazemos uma visita guiada que deixa aos nossos visitantes exactamente a ideia que queremos que tenham de nós.
Porque nos assustamos tanto quando temos que nos expor? A questão é que ficamos vulneráveis e, consequentemente, com medo. Quando nos expomos abrimos as portas fechadas onde acumulámos o lixo de uma vida, mostramos as nossas fraquezas, as nossas limitações, as nossas falhas. Ficamos vulneráveis e sentimos medo. Medo de dar a conhecer o vazio que está por detrás de cada porta fechada. O nosso vazio. É neste momento que começamos a criar máscaras. Máscaras belas e enfeitadas que mostram o que queremos que os outros vejam, o que sabemos que precisamos mostrar para não sermos julgados, para sermos aceites, para nos sentirmos enquadrados. É o medo que nos guia.
Por isso é tão importante o trabalho dos medos, porque não é possível ser verdadeiro e sentir medo. O medo fez com que criássemos uma vida de mentiras e enfeites. O medo afasta-nos da nossa verdadeira essência. O medo fecha portas e tranca-nos por detrás delas.
Aos poucos, porta atrás de porta, vamos matando o que de verdadeiro existe em nós, até não nos lembrarmos mais de quem somos verdadeiramente.
E o problema com o lixo fechado atrás de portas é que ele cresce. Ainda que não esteja vísivel aos olhos ele continua a crescer, a ganhar peso e intensidade no seu esconderijo. Poeira, atrai mais poeira.
O caminho é no sentido contrário. Passa por abrir as portas e trazer todo o lixo para fora. Só assim encontraremos o sentido da verdade que nos pesa diariamente nos ombros. Ao abrir portas e deixar o lixo à vista só o que é verdadeiro vive, apenas o que certo e benéfico sobrevive. O que não serve, o que não é verdadeiro morre porque não resiste ao céu aberto, à exposição, à vulnerabilidade. Não sobrevive quando é trazido para o plano da consciência.
Ao contrário do que nos têm dito, estar vulnerável é estar presente, é afirmar a nossa identidade numa dimensão onde não existem medos ou mentiras. É viver a exposição numa forma de verdade em direcção ao nosso centro, a nós próprios, à nossa individualidade. É o caminho para fora da personalidade e em direcção ao indíviduo.
Não é necessário ser / estar vulnerável para viver mas é necessário conseguir ser / estar vulnerável para não morrer.
quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009
Back to work
Ontem fui fazer uma leitura de aura. A leitura de aura foi algo ( como o Reiki ) que demorei a abraçar no meu caminho mas que depois da descoberta não dispenso. Fiz a minha primeira leitura de aura há uns 2 anos e foi uma experiência brutal. Entrei na sala com uma energia de desconfiança confiante e uma imensa necessidade de respostas que sentia escondidas em mim, em locais aos quais não conseguia aceder. Permaneci em silêncio e, quando me foi perguntado o que me tinha levado ali, respondi apenas: curiosidade. Pois claro que sim.
Naquele momento tentava encontrar a porta para um processo específico meu que me acompanhou desde sempre e para o qual não conseguia respostas. A leitura começou e, do início ao fim, senti-me despida e transparente em frente daquela pessoa que estava sentada, em frente de mim, de olhos fechados mas que conseguia ver para dentro de mim como nenhuma outra pessoa o tinha conseguido fazer de olhos abertos. Foi a primeira vez que entendi verdadeiramente o significado de ver com o coração. Como dizia Saint-Exupéry: " O essencial é invísivel aos olhos".
Dois anos passados, marquei novamente com o João Pires e lá fui eu. Foi muito bom rever o João, é sempre bom estar perto de seres que nos conseguem transmitir uma energia de calma, tranquilidade e pura aceitação. O João é uma pessoa assim. Perto dele, a nossa tranquilidade transforma-se em intranquilidade mal resolvida e o nosso caminho aparece-nos mais longo e íngreme do que víamos minutos antes de passar aquela porta. O João, traz-nos de volta a nós mesmos.
Trouxe dele a mensagem de que saí de mim mesma, de que me desviei do meu caminho. De que o trabalho que tenho a fazer, que todos temos que fazer, é um trabalho de Amor, de aceitação, de abertura do coração ao mundo, aos outros. Quando achamos que estamos a chegar lá, necessitamos de ouvir que temos muito ainda para caminhar. Foi essa uma das principais mensagens que trouxe ontem comigo.
Por entre a leitura de uma rosa que em tudo se assemelhava com a minha energia de momento, as folhas que nela existiam e que representavam os meus acordos ao nível dos relacionamentos, dos filhos e também espirituais, lá veio mais uma enxurrada de informação.
"Acredito, sinceramente, que o trabalho que todos temos pela frente é um trabalho feito pelo caminho do coração, do amor, é esse o trabalho que tens ainda pela frente, é a esse propósito que tens que voltar. Tens que voltar ao teu centro".
Ok, got the message. Bora lá voltar ao trabalho. Bora lá voltar a mim.
Naquele momento tentava encontrar a porta para um processo específico meu que me acompanhou desde sempre e para o qual não conseguia respostas. A leitura começou e, do início ao fim, senti-me despida e transparente em frente daquela pessoa que estava sentada, em frente de mim, de olhos fechados mas que conseguia ver para dentro de mim como nenhuma outra pessoa o tinha conseguido fazer de olhos abertos. Foi a primeira vez que entendi verdadeiramente o significado de ver com o coração. Como dizia Saint-Exupéry: " O essencial é invísivel aos olhos".
Dois anos passados, marquei novamente com o João Pires e lá fui eu. Foi muito bom rever o João, é sempre bom estar perto de seres que nos conseguem transmitir uma energia de calma, tranquilidade e pura aceitação. O João é uma pessoa assim. Perto dele, a nossa tranquilidade transforma-se em intranquilidade mal resolvida e o nosso caminho aparece-nos mais longo e íngreme do que víamos minutos antes de passar aquela porta. O João, traz-nos de volta a nós mesmos.
Trouxe dele a mensagem de que saí de mim mesma, de que me desviei do meu caminho. De que o trabalho que tenho a fazer, que todos temos que fazer, é um trabalho de Amor, de aceitação, de abertura do coração ao mundo, aos outros. Quando achamos que estamos a chegar lá, necessitamos de ouvir que temos muito ainda para caminhar. Foi essa uma das principais mensagens que trouxe ontem comigo.
Por entre a leitura de uma rosa que em tudo se assemelhava com a minha energia de momento, as folhas que nela existiam e que representavam os meus acordos ao nível dos relacionamentos, dos filhos e também espirituais, lá veio mais uma enxurrada de informação.
"Acredito, sinceramente, que o trabalho que todos temos pela frente é um trabalho feito pelo caminho do coração, do amor, é esse o trabalho que tens ainda pela frente, é a esse propósito que tens que voltar. Tens que voltar ao teu centro".
Ok, got the message. Bora lá voltar ao trabalho. Bora lá voltar a mim.
terça-feira, 3 de fevereiro de 2009
Sobre o que une as pessoas
Ao longo do tempo tenho alcançado uma visão cada vez mais distante dos relacionamentos, dos laços que se criam entre as pessoas, das experiências que se vive em conjunto, do que crescemos ou não com elas, as pessoas. E, reparem, não digo distante num sentido de me distanciar emocionalmente mas num sentido de visão de águia. Quando estamos demasiado próximos de algo o campo óptico não consegue abranger o que o rodeia com a mesma dimensão de que se estiver mais distante. Mais distante e num plano acima.
É este o sentimento que tenho neste momento em relação à vida, às pessoas, aos acontecimentos. De repente, as coisas tornaram-se mais pequenas mas consigo abranger um campo maior de coisas e pessoas ao mesmo tempo. Não me sinto centrada apenas naquela pessoa que está em frente de mim. É algo como se, ao olhá-la, conseguisse teletransportar-me para o ínicio de tudo, de onde apareceu a vida e que nos permitiu estarmos naquele lugar, sentados em frente um do outro.
Um destes dias alguém me dizia algo do tipo: " Mas se retiro tudo isso o que sobra? O que nos une?"
Hoje acordei com um pensamento marcado em mim. A grande questão não é tanto o que nos une mas aquilo que nos separa.
Estamos constantemente à procura de coisas que nos unam a esta e àquela pessoa. Coisas que gostamos nelas, coisas que nos façam querer estar com elas, coisas que nos façam gostar delas. Na realidade, o que vive em nós é a ideia de que a união a alguém só acontece se ela corresponder a todos os requisitos que num qualquer dia decidimos que seriam os necessários a ser aceite por nós, a fazerem parte de nós. A formatação toda a que somos sujeitos há séculos diz-nos que um bom amigo abraça-nos sempre quando choramos ( mesmo que o que realmente precisemos nesse momento seja o oposto ), uma boa mãe é aquela que continua eternamente a cuidar dos seus filhos ( mesmo que o ser humano seja o único animal que não permite a independência dos seus filhos na sua idade natural por não conseguir lidar com já não serem necessários ), um bom marido / mulher é aquele que se mata a trabalhar para pagar uma boa casa, um bom carro, ( mesmo que chegue a casa diariamente quando os filhos já estão a dormir e com um nível de cansaço que o impede de qualquer acto mais simpático ou carinhoso ), um bom trabalhador é aquele que entra cedo e sai tarde da empresa ( ainda que o resultado final do seu trabalho no final do dia seja igual ou inferior ao de alguém que sai mais cedo mas não desperdiça tempo desnecessariamente e se foca no que está a fazer ).
Vivemos rodeados de rótulos de certos e errados e usamo-los para eleger as pessoas a quem nos unimos. E, continuamos, dia após dia focados naquelas a que nos queremos unir a qualquer custo. Porque nos trazem felicidade ou status, porque preenchem vazios interiores e ajudam a que os esqueçamos ( pelo menos por algum tempo ), porque nos fazem sentir amados ou, simplesmente, porque precisamos que precisem de nós.
O que me chegou durante o sono foi esta sensação de como não percebemos que não é possível não estarmos unidos. De como a mais ínfima parte de qualquer ser é também parte de nós. De que gastamos tempo à procura de coisas que nos ligam aos outros quando deveríamos encontrar a fórmula para não permitir o afastamento delas. Sim, porque é tão simples aceitarmos que não estamos unidos a alguém, que determinada pessoa não nos é nada, não nos diz nada. É tão simples vivermos a ilusão de que nada do que se passa do outro lado do mundo tem que ver connosco e que a fome em áfrica é apenas uma consequência climática ou de falta de recursos.
" Mas se retiro tudo isso o que sobra? O que nos une?" Depois de eliminarmos o que necessitamos de roubar do outro para tapar os nossos buracos, depois de conseguirmos bastar-nos a nós próprios e relacionarmo-nos pelo que somos verdadeiramente, então sobra a essência, o ser puro, aquilo que simplesmente é. Sobra o amor incondicional ( sem clichés, nem idealismos egoícos ), a total aceitação do outro pelo que é e não pelo que tem para nos oferecer.
Quando atingirmos este estágio deixará de ter importância o que nos une porque nada poderá afastar-nos.
É este o sentimento que tenho neste momento em relação à vida, às pessoas, aos acontecimentos. De repente, as coisas tornaram-se mais pequenas mas consigo abranger um campo maior de coisas e pessoas ao mesmo tempo. Não me sinto centrada apenas naquela pessoa que está em frente de mim. É algo como se, ao olhá-la, conseguisse teletransportar-me para o ínicio de tudo, de onde apareceu a vida e que nos permitiu estarmos naquele lugar, sentados em frente um do outro.
Um destes dias alguém me dizia algo do tipo: " Mas se retiro tudo isso o que sobra? O que nos une?"
Hoje acordei com um pensamento marcado em mim. A grande questão não é tanto o que nos une mas aquilo que nos separa.
Estamos constantemente à procura de coisas que nos unam a esta e àquela pessoa. Coisas que gostamos nelas, coisas que nos façam querer estar com elas, coisas que nos façam gostar delas. Na realidade, o que vive em nós é a ideia de que a união a alguém só acontece se ela corresponder a todos os requisitos que num qualquer dia decidimos que seriam os necessários a ser aceite por nós, a fazerem parte de nós. A formatação toda a que somos sujeitos há séculos diz-nos que um bom amigo abraça-nos sempre quando choramos ( mesmo que o que realmente precisemos nesse momento seja o oposto ), uma boa mãe é aquela que continua eternamente a cuidar dos seus filhos ( mesmo que o ser humano seja o único animal que não permite a independência dos seus filhos na sua idade natural por não conseguir lidar com já não serem necessários ), um bom marido / mulher é aquele que se mata a trabalhar para pagar uma boa casa, um bom carro, ( mesmo que chegue a casa diariamente quando os filhos já estão a dormir e com um nível de cansaço que o impede de qualquer acto mais simpático ou carinhoso ), um bom trabalhador é aquele que entra cedo e sai tarde da empresa ( ainda que o resultado final do seu trabalho no final do dia seja igual ou inferior ao de alguém que sai mais cedo mas não desperdiça tempo desnecessariamente e se foca no que está a fazer ).
Vivemos rodeados de rótulos de certos e errados e usamo-los para eleger as pessoas a quem nos unimos. E, continuamos, dia após dia focados naquelas a que nos queremos unir a qualquer custo. Porque nos trazem felicidade ou status, porque preenchem vazios interiores e ajudam a que os esqueçamos ( pelo menos por algum tempo ), porque nos fazem sentir amados ou, simplesmente, porque precisamos que precisem de nós.
O que me chegou durante o sono foi esta sensação de como não percebemos que não é possível não estarmos unidos. De como a mais ínfima parte de qualquer ser é também parte de nós. De que gastamos tempo à procura de coisas que nos ligam aos outros quando deveríamos encontrar a fórmula para não permitir o afastamento delas. Sim, porque é tão simples aceitarmos que não estamos unidos a alguém, que determinada pessoa não nos é nada, não nos diz nada. É tão simples vivermos a ilusão de que nada do que se passa do outro lado do mundo tem que ver connosco e que a fome em áfrica é apenas uma consequência climática ou de falta de recursos.
" Mas se retiro tudo isso o que sobra? O que nos une?" Depois de eliminarmos o que necessitamos de roubar do outro para tapar os nossos buracos, depois de conseguirmos bastar-nos a nós próprios e relacionarmo-nos pelo que somos verdadeiramente, então sobra a essência, o ser puro, aquilo que simplesmente é. Sobra o amor incondicional ( sem clichés, nem idealismos egoícos ), a total aceitação do outro pelo que é e não pelo que tem para nos oferecer.
Quando atingirmos este estágio deixará de ter importância o que nos une porque nada poderá afastar-nos.
domingo, 1 de fevereiro de 2009
Coragem by Osho
"A palavra coragem é muito interessante. Ela vem da raiz latina cor, que significa "coração". Portanto, ser corajoso significa viver com o coração. E os fracos, somente os fracos, vivem com a cabeça; receosos, eles criam em torno deles uma segurança baseada na lógica. Com medo, fecham todas as janelas e portas – com teologia, conceitos, palavras, teorias – e do lado de dentro dessas portas e janelas, eles se escondem.
O caminho do coração é o caminho da coragem. É viver na insegurança, é viver no amor e confiar, é enfrentar o desconhecido. É deixar o passado para trás e deixar o futuro ser. Coragem é seguir trilhas perigosas. A vida é perigosa. E só os covardes podem evitar o perigo – mas aí já estão mortos. A pessoa que está viva, realmente viva, sempre enfrentará o desconhecido. O perigo está presente, mas ela assumirá o risco. O coração está sempre pronto para enfrentar riscos; o coração é um jogador. A cabeça é um homem de negócios. Ela sempre calcula – ela é astuta. O coração nunca calcula nada. "
Osho
O caminho do coração é o caminho da coragem. É viver na insegurança, é viver no amor e confiar, é enfrentar o desconhecido. É deixar o passado para trás e deixar o futuro ser. Coragem é seguir trilhas perigosas. A vida é perigosa. E só os covardes podem evitar o perigo – mas aí já estão mortos. A pessoa que está viva, realmente viva, sempre enfrentará o desconhecido. O perigo está presente, mas ela assumirá o risco. O coração está sempre pronto para enfrentar riscos; o coração é um jogador. A cabeça é um homem de negócios. Ela sempre calcula – ela é astuta. O coração nunca calcula nada. "
Osho
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