Do nada lembrei-me que tenho deixado passar, dia após dia, a ida ao cinema para ver a passagem à tela de um livro que me deixou imagens simpáticas e sensações de sentimento verdadeiro.
Gabriel Garcia Marquez escreve de Amor como só ele sabe e escrevo a palavra com maiúscula porque a forma como fala de Amor é também ela imensa. Amor, na escrita de Marquez, tem um significado infindável, incomensurável.
Ao mesmo tempo que pensava neste livro, que li faz já muito tempo, percebi que me lembrava do essencial mas não dos nomes dos personagens nem de lugares onde algumas cenas se passavam. Lembro-me da história no geral, do que me trouxe pessoalmente, do que trouxe a todos enquanto mensagem pessoal do autor, mas não de factos mais específicos.
Não pude deixar de pensar que o Amor é um pouco assim. As pessoas que vamos amando, ao longo de uma vida, vão deixando em nós sentimentos e imagens e, com o passar do tempo, alguns deles parecem-nos turvos e lembramo-nos apenas de fracções. As imagens vão perdendo a cor, a textura e, em tom de sépia, assemelham-se a uma qualquer foto de um qualquer album antigo.
Lembro-me que encontrava muitas destas fotos lá por casa e quando perguntava à minha avó quem era a pessoa de determinada foto ela dizia sempre: Ora, deixa-me cá olhar bem para ver se me lembro... Pois, acho que fazemos o mesmo com os personagens da nossa vida.
Certo será, que uns apresentarão mais cor que outros e resistirão melhor ao passar do tempo.
Isto leva-me ao título deste artigo e ao motivo real de toda esta divagação e que se prende com a forma como amamos em tempos menos bons. É fácil, muito fácil, amar quando tudo está bem no nosso mundo, quando cada coisa está no seu lugar e a sabemos de cor. É fácil amar quem nos acaricia o cabelo e nos pede que fiquemos, quem nos segreda em tom de amor e nos encanta. Amar assim é quase inato.
Mas, como amamos nós em tempos de cólera e tempestade? Como reagimos quando alguém nos diz não te amo mais? Como amamos sem a carícia no cabelo e sem os segredos musicados em acorde maior de amor?
Amar em tempos de cólera não é fácil simplesmente porque não amamos, na maioria das vezes, de forma desinteressada e porque o que queremos do outro nada mais é do que o que necessitamos de preencher em cada parte vazia de nós.
Não é fácil porque não sabemos amar sem ser amados, não sabemos dar sem receber, não conseguimos amar só porque sim, independentemente do que seja. Medimos o que damos pelo que recebemos e quando não há nada a receber deixamos automaticamente de amar. Era só o que faltava, amar alguém que me mente, que me trama, que me diz coisas que não quero ouvir ou que acha que não me quer mais na sua vida. E, então, vem o ódio. Passamos de uma polaridade à outra sem entendermos o que aconteceu no caminho.
Este é o verdadeiro teste, amar, com chuva, num dia de tempestade, em tempo de cólera. Amar quando do outro lado não há amor, quando não há nada do qual nos possamos alimentar. Amar, só porque sim, porque brota de nós e deixamos que se espalhe em nosso redor.
Gabriel Garcia Marquez escreve de Amor como só ele sabe e escrevo a palavra com maiúscula porque a forma como fala de Amor é também ela imensa. Amor, na escrita de Marquez, tem um significado infindável, incomensurável.
Ao mesmo tempo que pensava neste livro, que li faz já muito tempo, percebi que me lembrava do essencial mas não dos nomes dos personagens nem de lugares onde algumas cenas se passavam. Lembro-me da história no geral, do que me trouxe pessoalmente, do que trouxe a todos enquanto mensagem pessoal do autor, mas não de factos mais específicos.
Não pude deixar de pensar que o Amor é um pouco assim. As pessoas que vamos amando, ao longo de uma vida, vão deixando em nós sentimentos e imagens e, com o passar do tempo, alguns deles parecem-nos turvos e lembramo-nos apenas de fracções. As imagens vão perdendo a cor, a textura e, em tom de sépia, assemelham-se a uma qualquer foto de um qualquer album antigo.
Lembro-me que encontrava muitas destas fotos lá por casa e quando perguntava à minha avó quem era a pessoa de determinada foto ela dizia sempre: Ora, deixa-me cá olhar bem para ver se me lembro... Pois, acho que fazemos o mesmo com os personagens da nossa vida.
Certo será, que uns apresentarão mais cor que outros e resistirão melhor ao passar do tempo.
Isto leva-me ao título deste artigo e ao motivo real de toda esta divagação e que se prende com a forma como amamos em tempos menos bons. É fácil, muito fácil, amar quando tudo está bem no nosso mundo, quando cada coisa está no seu lugar e a sabemos de cor. É fácil amar quem nos acaricia o cabelo e nos pede que fiquemos, quem nos segreda em tom de amor e nos encanta. Amar assim é quase inato.
Mas, como amamos nós em tempos de cólera e tempestade? Como reagimos quando alguém nos diz não te amo mais? Como amamos sem a carícia no cabelo e sem os segredos musicados em acorde maior de amor?
Amar em tempos de cólera não é fácil simplesmente porque não amamos, na maioria das vezes, de forma desinteressada e porque o que queremos do outro nada mais é do que o que necessitamos de preencher em cada parte vazia de nós.
Não é fácil porque não sabemos amar sem ser amados, não sabemos dar sem receber, não conseguimos amar só porque sim, independentemente do que seja. Medimos o que damos pelo que recebemos e quando não há nada a receber deixamos automaticamente de amar. Era só o que faltava, amar alguém que me mente, que me trama, que me diz coisas que não quero ouvir ou que acha que não me quer mais na sua vida. E, então, vem o ódio. Passamos de uma polaridade à outra sem entendermos o que aconteceu no caminho.
Este é o verdadeiro teste, amar, com chuva, num dia de tempestade, em tempo de cólera. Amar quando do outro lado não há amor, quando não há nada do qual nos possamos alimentar. Amar, só porque sim, porque brota de nós e deixamos que se espalhe em nosso redor.
2 comentários:
Lindinha, permite-me que discorde. O ódio não é polaridade do amor. O ódio é prova de que se amou e de que essa proximidade nos perturba manifestamente. É quase sempre um elogio ao poder do outro sobre nós, e isso é verdade com países e pessoas, ou outras coisas, desde que tenham sido próximos.
O extremo oposto do amor é a indiferença. É a ausência de sentimento algum.
Mas quem sou eu? Esta é a minha verdade. LOL :)
Clau
hummm ausência de sentimento algum na sua polaridade daria algo demasiado vago para poder ter um nome específico...né? as polaridades nascem de algo invertido ao seu extremo oposto. Dizer que a ausência de sentimento é o extremo oposto de amor significa apenas que tu consideras o amor como o maior dos sentimentos. Digo eu.. mas cada interpretação é pessoal :)
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