domingo, 15 de junho de 2008

As pequenas coisas

Este mundo é grande, gigantesco e nele passam-se coisas igualmente gigantescas.
Grande, imenso é também a importância que damos a certas coisas, como o carro que conduzimos, a casa onde vivemos, a roupa de marca que vestimos, os perfumes que usamos, etc… Levamos uma vida inteira a perseguir sonhos imensos, estabelecemos objectivos distantes e deixamos de viver para os atingir mas quando lá chegamos, se chegamos, o tempo já é muito pouco para usufruir deles em pleno. Estamos velhos, doentes e sem paciência e já nem nos lembramos dos motivos que nos levaram a fazer algumas das escolhas que fizemos.

Mudamos e não entendemos porque não aproveitámos todos aqueles anos para estar com as pessoas que amamos em vez de passarmos o dia com estranhos, que mal conhecemos mas que tentamos impressionar a todo o custo, mais uma vez, com o que conduzimos, vestimos, cheiramos, etc. Não entendemos porque vivemos a correr e nunca reparámos na árvore centenária e majestosa que está todos os dias no caminho que fazemos ou no maravilhoso quadro de flores que nos sorriem quando passamos com tanta pressa ou ainda no olhar triste de um personagem chamado Jeremias que dorme há anos numa escada de pedra fria e suja no prédio ao lado do nosso.

Um dia, quando finalmente olhamos e vemos tudo isto , parece-nos um quadro novo, acabado de pendurar mas está velho e desgastado de tanta indiferença, de tantos olhares apressados. E é então que percebemos o que são as tais pequenas coisas de que tanto se fala… São as pequenas coisas esquecidas num mundo de gigantes. Aquelas que, no final, procuramos no mais intimo do nosso ser e as únicas que preenchem o vazio de uma vida inteira de procura frenética.

São as palavras que nunca dissemos por falta de tempo e que nos pesam e queimam o peito quando é tarde demais e já não há ninguém para as ouvir. São os momentos que não partilhámos e deixámos para mais tarde… mas é tarde.. São os carinhos que não se fazem por vergonha ou teimosia e que ficam marcados no tempo que não perdoa incertezas.

É a vida, bela, cruel e misteriosa, mas breve como uma brisa suave que passa despercebida. São as pequenas coisas…

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