sábado, 4 de abril de 2009

Asas


"I am a bird girl now, i've got my heart here in my hands now, i 've been searching for my wings some time, i'm gonna be born into soon the sky, 'Cause i'm a bird girl and the bird girls go to heaven. I'm a bird girl, and the bird girls can fly, bird girls can fly."

Quando era criança costumava fechar os olhos e imaginar que estava a voar. Voltava a abrir os olhos sempre para descobrir que não tinha levantado vôo. Nalguns momentos, a capacidade de voar para bem longe ter-me-ia sido muito benéfica. Podia ter batido as asas em momentos que esqueceria de bom grado. Mas a verdade é que nunca consegui voar. Talvez a consequência mais directa disso seja a minha incontrolável vontade de não permanecer no mesmo sítio muito tempo. Feitas as contas, não conheço ninguém que tenha mudado de casa tantas vezes quanto eu. Tenho esta dificuldade de permanecer num lugar. Não tanto por não estar bem onde estou mas por querer mais estar noutro sítio. Muitas vezes esse outro sítio nada mais tem para além de ser simplesmente outro sítio. Mas é que já quis tanto estar noutros sítios e não podia voar..
A certa altura estava a falar com alguém sobre o desejo de voar e ela respondeu-me: "tudo se resume ao que conseguimos ou não ver. No momento em que conseguires ver as tuas asas e acreditares que te vão levantar, então voarás." Lembro-me disso sempre que me doem as costas. Fico a olhar, à espera de ver alguma penugem nascer, à procura das minhas asas. Se me nascessem umas asas de que cor seriam? Brancas, pretas, cinzentas? Queria mesmo umas asas, a cor não me importa nada.

1 comentário:

Anónimo disse...

Definitivamente de volta