sábado, 9 de fevereiro de 2008

Tchu-tchu


Gosto de comboios, desde sempre. Gosto dos grandes, dos pequenos, de todas as cores e formas. Gosto de imaginar os sons e cheiros de um passeio de comboio. Não pela linha de sintra, onde todas as leis da física são contrariadas e sim, duas coisas conseguem ocupar o mesmo lugar ao mesmo tempo, acreditem. Mas um passeio de comboio por entre rios e montanhas é renovador. Pena é, que a beleza dos comboios antigos tenha sido esquecida e se inventem comboios sem magia cujo mote é o simples transporte de pessoas. Toda a gente sabe que os comboios não foram inventados para o transporte mas sim para puro deleite dos que apreciam uma viagem pelos carris deste mundo.
E depois há as pistas de comboio, são estonteantes. Fica-se ali a olhar o comboio a seguir o seu rumo, a deixar para trás árvores, montanhas e tuneis, sim, porque uma pista de comboios sem um túnel não é uma pista de comboios verdadeira, e se fecharmos os olhos estamos em viagem.
Tive uma pista destas em criança e lembro-me que o tempo não passava e que ficava imóvel a ver a magia em acção. E, dentro de uma das carruagens lá ia eu, tchu-tchu, em direcção a um qualquer destino.
Um comboio transporta-nos muito para além dos destinos físicos. Leva-nos numa viagem ao mais profundo de nós próprios, a locais que não sabemos que existem mas que nem por isso deixam de lá estar, à espera de serem encontrados.

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