Duma forma ou de outra já todos ouviram falar no documentário "Uma verdade inconveniente". Ontem, consegui finalmente vê-lo.
Todos ouvimos falar do aquecimento global, da poluíção, do aumento da temperatura, etc, mas parecem histórias sempre tão distantes... Na realidade, não vemos nenhuma dessas consequências no imediato, no dia-a-dia. Abrimos uma torneira de casa e a água corre naturalmente, continuamos a ter calor no verão e frio no inverno e as nossas vidas continuam como se nada as pudesse afectar. Mas até que ponto é que esta não é apenas uma verdade conveniente?
O documentário é, na minha opinião, muito bem construído e documentado. Mais, a linguagem é clara e acessível a todos. Ainda mais, os exemplos são inteligentes ao ponto de nos fazerem achar piada e não virar a cara. Um desses exemplos é demonstrativo da forma como nós, humanos, reagimos ao que nos rodeia e é algo parecido com isto: Imaginem um sapo e um recipiente com água a ferver. Se o sapo saltar para dentro do recipiente e sentir a água imediatamente quente, a sua reacção natural é pular logo para fora e fugir ao calor. Mas, se colocarmos o sapo dentro do recipiente com água ainda tépida e a temperatura for aumentando gradualmente, o sapo vai-se deixando ficar até que tem que ser resgatado. Porquê? porque não vê de imediato o efeito da temperatura no ponto de ebulição e então vai aguentando... Isto é representativo de todos nós. Abrimos uma torneira e a água corre, então de que interessa ouvir falar da falta de água daqui a 50 anos?
Mas façam o teste e olhem para trás. Vejam o documentário, quem ainda não viu. Vejam as fotos de locais com o Kilimanjaro coberto de neve há 40 anos atrás e hoje. Vejam os gráficos que mostram como em 40 anos a espessura da camada de gelo em locais como o Ártico diminuiu 40%. Vejam como, pela primeira vez, se começam a encontrar ursos polares que morrem afogados por nadarem kilómetros sem encontrar uma placa de gelo que consiga suportar o seu peso. Ou, como as temperaturas têm subido nos últimos anos de forma nunca vista ou estudada.
É um facto que todos nós sabemos que isto se passa. Mas até que ponto não o apagamos diariamente das nossas rotinas por ser mais fácil viver sem essa informação.
Eu e a Mécia falámos hoje sobre isto, sobre como é mais fácil viver na ignorância. É mais fácil viver e é mais fácil ser feliz.
Sempre que toco neste assunto lembro-me como a "Alegoria da Caverna", de Platão, é um texto tão actual e um dos maiores exemplos deste comportamento. Também aí, os que viviam na caverna não queriam sair para ver o sol. Não viam o sol, é verdade, não o sentiam na cara, não sentiam o seu calor. Mas também não sabiam o que isso era e, por isso mesmo, não sentiam a sua falta nem conheciam os benefícios. Eram ignorantes, sim, mas eram felizes.
Já sei, já sei. A felicidade é um conceito relativo. Eu sei que é e sei, também, que a informação liberta-nos e dá-nos asas. Mas, tenho que insistir, não é fácil viver com toda esta informação e acordar a sorrir para um novo dia e acreditar que vai tudo correr bem. Não sei se vai correr bem, não tem sido esse o percurso.
A minha opção pessoal tem sido a de querer ver o sol, viver com a informação e procurar divulgá-la o mais possível. Não é fácil, mas nem todos nós conseguimos escolher o outro caminho.
Vejam o documentário e não permitam que a conveniência apague a verdade do planeta em que vivêmos. Está em risco, estamos todos.
Todos ouvimos falar do aquecimento global, da poluíção, do aumento da temperatura, etc, mas parecem histórias sempre tão distantes... Na realidade, não vemos nenhuma dessas consequências no imediato, no dia-a-dia. Abrimos uma torneira de casa e a água corre naturalmente, continuamos a ter calor no verão e frio no inverno e as nossas vidas continuam como se nada as pudesse afectar. Mas até que ponto é que esta não é apenas uma verdade conveniente?
O documentário é, na minha opinião, muito bem construído e documentado. Mais, a linguagem é clara e acessível a todos. Ainda mais, os exemplos são inteligentes ao ponto de nos fazerem achar piada e não virar a cara. Um desses exemplos é demonstrativo da forma como nós, humanos, reagimos ao que nos rodeia e é algo parecido com isto: Imaginem um sapo e um recipiente com água a ferver. Se o sapo saltar para dentro do recipiente e sentir a água imediatamente quente, a sua reacção natural é pular logo para fora e fugir ao calor. Mas, se colocarmos o sapo dentro do recipiente com água ainda tépida e a temperatura for aumentando gradualmente, o sapo vai-se deixando ficar até que tem que ser resgatado. Porquê? porque não vê de imediato o efeito da temperatura no ponto de ebulição e então vai aguentando... Isto é representativo de todos nós. Abrimos uma torneira e a água corre, então de que interessa ouvir falar da falta de água daqui a 50 anos?
Mas façam o teste e olhem para trás. Vejam o documentário, quem ainda não viu. Vejam as fotos de locais com o Kilimanjaro coberto de neve há 40 anos atrás e hoje. Vejam os gráficos que mostram como em 40 anos a espessura da camada de gelo em locais como o Ártico diminuiu 40%. Vejam como, pela primeira vez, se começam a encontrar ursos polares que morrem afogados por nadarem kilómetros sem encontrar uma placa de gelo que consiga suportar o seu peso. Ou, como as temperaturas têm subido nos últimos anos de forma nunca vista ou estudada.
É um facto que todos nós sabemos que isto se passa. Mas até que ponto não o apagamos diariamente das nossas rotinas por ser mais fácil viver sem essa informação.
Eu e a Mécia falámos hoje sobre isto, sobre como é mais fácil viver na ignorância. É mais fácil viver e é mais fácil ser feliz.
Sempre que toco neste assunto lembro-me como a "Alegoria da Caverna", de Platão, é um texto tão actual e um dos maiores exemplos deste comportamento. Também aí, os que viviam na caverna não queriam sair para ver o sol. Não viam o sol, é verdade, não o sentiam na cara, não sentiam o seu calor. Mas também não sabiam o que isso era e, por isso mesmo, não sentiam a sua falta nem conheciam os benefícios. Eram ignorantes, sim, mas eram felizes.
Já sei, já sei. A felicidade é um conceito relativo. Eu sei que é e sei, também, que a informação liberta-nos e dá-nos asas. Mas, tenho que insistir, não é fácil viver com toda esta informação e acordar a sorrir para um novo dia e acreditar que vai tudo correr bem. Não sei se vai correr bem, não tem sido esse o percurso.
A minha opção pessoal tem sido a de querer ver o sol, viver com a informação e procurar divulgá-la o mais possível. Não é fácil, mas nem todos nós conseguimos escolher o outro caminho.
Vejam o documentário e não permitam que a conveniência apague a verdade do planeta em que vivêmos. Está em risco, estamos todos.
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